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Agência Minas Gerais | Especialista em Lei Geral de Proteção de Dados destaca cuidados para proteção de dados pessoais

Phạm Trần Hoàn Thịnh via Unsplash

Phạm Trần Hoàn Thịnh via Unsplash

Diante da revolução digital, percorremos um caminho sem volta, quase 100% mediado por ações na Internet e, cada vez mais, pela inteligência artificial (IA). Nesse cenário, também surgem novos riscos que afetam em cheio o cidadão comum, como roubo e uso indevido de dados pessoais. 

O alerta vem da especialista da Companhia de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Prodemge), a data protection officer (DPO) Emily Assumpção, encarregada pelo Tratamento de Dados Pessoais. Um DPO é responsável por garantir que uma organização/empresa esteja em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

“Atuamos como um elo entre a empresa, os titulares dos dados (clientes, funcionários) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD)”, contextualiza. E ressalta: “a LGPD possui o objetivo de trazer regras para o uso correto dos dados, sob pena de sanções administrativas às empresas”. 

Neste Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado nesta quarta-feira (28/1), Emily destaca a IA como uma das áreas mais promissoras da tecnologia, que tem recebido altos investimentos e atenção nas mais diversas áreas de atuação. 

Com uso cada vez mais frequente e popularizado, é necessário que o cidadão se informe para usar a tecnologia a seu favor. Antes de ações intempestivas ao buscar um novo aplicativo ou ferramenta, é preciso se fazer perguntas como: preencher cadastros com dados pessoais é seguro? Esses dados receberão tratamento adequado? A empresa responsável pela ferramenta está em conformidade com a LGPD? 

“Hoje, é uma questão de sobrevivência estar atento aos riscos que a má utilização da tecnologia pode acarretar. Os cidadãos têm sido alvo de golpes arquitetados com o uso de IA para produção automática de mensagens, chamadas, vídeos e até mesmo bate-papos enganosos que parecem autênticos”, reforça a DPO.

Ela cita ainda cibercriminosos que utilizam a IA para fazer ligações simulando vozes e vídeos de pessoas conhecidas, solicitando senhas, transferências financeiras e informações confidenciais.

Blindagem 

A DPO explica que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é a legislação que visa regular o tratamento dos dados pessoais no Brasil, com o objetivo de proteger a privacidade, liberdade e a personalidade dos indivíduos, chamados titulares dos dados.

Desde 2022, a proteção de dados pessoais tornou-se um direito fundamental no Brasil, garantido por meio da Emenda Constitucional 115. “O mundo se digitalizou e cuidar dos dados tornou-se questão fundamental, não só pela proteção da honra e da dignidade da pessoa humana, mas também em relação ao crescente número de golpes envolvendo dados pessoais”. 

Orientação

A LGPD também atua diante da ampliação da inteligência artificial, que processa grandes volumes de dados. Uma das frentes é referente ao tratamento de dados classificados como pessoais ou sensíveis, que deve ocorrer de acordo com diretrizes específicas e respeitar princípios como finalidade, necessidade e transparência. Tais medidas buscam mitigar riscos.

“Diante da oferta cada vez maior de apps e ferramentas na web, todo cuidado é pouco e se torna fundamental avaliar a relação entre termos de uso e adequação à LGPD. Tem sido bem frequente o indivíduo se expor no meio digital e criminosos se aproveitarem das postagens para cometer golpes e outros delitos, inclusive com uso da própria IA”, alerta.

A DPO cita a importância de pais ou responsáveis legais na orientação de menores, que também são alvos frequentes de cibercriminosos. 

“Vivemos em um mundo digital onde tudo é postado. Nesse contexto, é importante que o cidadão faça uma avaliação crítica, filtre o que deve ser exposto, tenha cuidado com o uso indiscriminado das redes sociais e outras ferramentas. Avaliar a permissão de dados, conferir a adequação da ferramenta à LPGD, conhecer seus direitos”, finaliza. 

 

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