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ENTRETENIMENTO

Prefeitura do Rio anuncia projetos de inovação que serão testados na cidade – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

O Sandbox.Rio chega à terceira edição – Arte sobre foto de Marcos de Paula

A Prefeitura do Rio anunciou, nesta quinta-feira (2/4), os 10 projetos inovadores selecionados na terceira edição do Sandbox.Rio e que serão testados na cidade. O foco da terceira edição do programa são as iniciativas voltadas para comunidades cariocas e para áreas como Zona Norte, Zona Oeste e região de Jacarepaguá. Além disso, a IplanRio, empresa municipal de tecnologia, apresentou a plataforma Rio 3 Open, uma família de seis modelos de inteligência artificial de ponta totalmente gratuita e aberta.

 

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), Osmar Lima, anunciou os selecionados do Sandbox.Rio e parabenizou os empreendedores por investirem no Rio.

 

— A adesão e a qualidade das propostas reforçam o esforço da Prefeitura em incentivar o empreendedorismo inovador, provando que inovação e impacto social caminham juntos. Estamos na terceira edição, com projetos testados e a regulamentação dos patinetes, que é uma entrega muito importante. Não estamos apenas testando tecnologia, estamos buscando soluções para desafios reais do dia a dia do carioca — destacou o secretário.

 

Sandbox atrai projetos para áreas periféricas

 

Nessa terceira edição, o Sandbox.Rio teve 58 projetos inscritos, confirmando a vocação da cidade para atrair tecnologias de impacto socioambiental e consolidando o programa como referência nacional. Divididos por macrotemas como saúde, sustentabilidade, mobilidade e cidades inteligentes, a estratégia de incentivar a atuação em áreas periféricas também se mostrou positiva: 83% dos projetos inscritos indicaram previsão de atuação nas comunidades das Zonas Norte e Oeste.

 

— O grande foco desse terceiro ciclo é democratizar a inovação. 
A inovação não pode ser uma literatura só de algumas áreas, ela precisa ser uma literatura para todo cidadão. A ideia é que a gente possa fazer os novos projetos para áreas periféricas. Esses projetos são a nossa prioridade. — disse Carina Quirino, subsecretária de Regulação e Ambiente de Negócios (SMDE).

 

O eixo de Saúde concentrou a maior demanda, seguido por Cidades Inteligentes e Sustentabilidade. Entre os projetos selecionados estão o Criança Protegida (Tooda), que facilita a localização de crianças perdidas nas praias; a BiClean (BDM), que utiliza bicicletas aquáticas elétricas para coleta de resíduos flutuantes e microplásticos, inicialmente na Lagoa Rodrigo de Freitas; e a naPorta, startup que propõe uma logística social com a implantação do “CEP Digital Carioca”, ampliando o acesso a serviços públicos aos moradores de comunidades.

 

— Sem o apoio do município essas tecnologias não saem do papel, e o Sandbox.Rio está sendo primordial. Sem essa ferramenta, todas essas tecnologias que vocês estão vendo aqui poderiam atrasar de dois a três anos ou simplesmente morrer. O Sandbox vai ser um grande divisor de águas pra gente poder lançar novas tecnologias com impacto direto tanto para cidade, quanto para a população e para o meio ambiente — disse Marcius Victorino da Costa, CEO da BDM Corp.

 

Ao todo, 57% das iniciativas terão testes de longa duração, com até 12 meses, permitindo a geração de dados consistentes para o aprimoramento de políticas públicas municipais.

 

As empresas selecionadas assinarão o Termo de Implantação de Solução Inovadora e darão início aos testes, com monitoramento de órgãos municipais e acompanhamento técnico da Prefeitura, para avaliação de desempenho e riscos. Em contrapartida à autorização para testar as soluções na cidade, deverão compartilhar dados brutos com o Município. As informações vão subsidiar a formulação de políticas públicas e de legislação, permitindo a incorporação segura das inovações ao cotidiano urbano, com benefícios para a população, a gestão pública e a segurança jurídica das empresas.

 

Inspirado em modelos internacionais do Reino Unido e Coreia do Sul, o Sandbox.Rio, em três edições, recebeu 88 inscrições, com 20 habilitações, um crescimento de 176,1% no número de inscritos em relação à edição anterior, o que reforça a evolução e a consolidação do programa.

 

Entre os projetos anteriores, destaca-se o dos patinetes elétricos, que teve o uso regulamentado por decreto municipal, além do lançamento do edital de credenciamento das empresas interessadas em operar o serviço, até dia 14 de maio. A regulamentação foi baseada em dados coletados ao longo de 19 meses que registraram 2,9 milhões de viagens, 972.380 usuários cadastrados, redução de 358 toneladas de CO₂ e geração de 230 empregos.

 

Outros dois projetos seguem em teste – o do aplicativo de carros compartilhados da Wali, com o primeiro ponto público da cidade do Rio no Humaitá, e o Eletroposto Carioca, o primeiro posto exclusivo para recarga de carros elétricos em área pública da cidade.

 

Além disso, o Sandbox.Rio recebeu premiações internacionais e nacionais, como o segundo lugar no World Smart City Awards 2024 e o primeiro lugar do Govtech Summit 2025. O programa carioca também entrou no Mapeamento de Iniciativas Climáticas Urbanas da ONU Habitat, foi destaque no Observatório de inovação da OCDE e em estudo do TCU sobre sandboxes. Todas as informações estão disponíveis no site:  sandboxrio.com.br

 

Rio 3 Open: inteligência artificial pública e gratuita

 

Diferentemente dos modelos de inteligência artificial tradicionais, que são propriedades privadas e restritivas, o Rio 3 Open adota a licença MIT, criada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Na prática, isso significa que a cidade está entregando uma ferramenta ‘aberta’: empresas e acadêmicos têm total liberdade para usar, modificar e até lucrar com essa tecnologia, sem burocracia. O acesso é público e gratuito através do portal ai.rio.

 

— Queremos que o Rio seja reconhecido como um polo de inovação pública, capaz de desenvolver suas próprias soluções em inteligência artificial, sem depender de plataformas estrangeiras. Esses modelos são infraestrutura aberta para quem cria soluções digitais —, diz João Carabetta, presidente da IplanRio.

 

A Rio 3 oferece opções para qualquer necessidade, funcionando desde aparelhos simples até grandes centrais de dados. Diferente de outras IAs, onde os dados são enviados para fora do Brasil, este projeto permite que tudo seja processado localmente. Isso protege informações sensíveis e garante nossa independência tecnológica.

 

Com o Rio 3 Open, a prefeitura democratiza o acesso a ferramentas de ponta, fortalecendo a autonomia do setor público e da sociedade. O Rio 3 Open representa um passo estratégico do município na democratização da inteligência artificial e no fortalecimento da autonomia tecnológica, oferecendo ferramentas poderosas e acessíveis para a sociedade e o setor público.

 

Conheça os 10 projetos selecionados no Sandbox

 

SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA

 

Aerolabs (Drone de resgate em praia): drone de alta capacidade que utiliza visão computacional para identificar vítimas de afogamento nas praias e lançar botes de salvamento automaticamente, apoiando o trabalho dos salva-vidas.

 

Criança Protegida (Tooda): Sistema de segurança preventiva para praias utilizando pulseiras com QR Code integradas a uma rede digital de barraqueiros e Guarda Municipal, visando reduzir o tempo de localização de crianças perdidas.

 

Motofog (Fumajet): Motocicletas equipadas com sistema dual de nebulização e IA para combate ao mosquito da dengue e outros vetores em vielas e áreas de difícil acesso na Zona Norte.

 

Coldlog: Solução logística para transporte de insumos termossensíveis (como vacinas e insulina) utilizando motocicletas elétricas com módulos refrigerados e rastreabilidade em tempo real.

 

SUSTENTABILIDADE

 

BiClean (BDM):  Bicicletas aquáticas elétricas para coleta de resíduos flutuantes e microplásticos na Lagoa Rodrigo de Freitas inicialmente, combinando limpeza urbana, lazer e educação ambiental.

 

HRIOS: Estação flutuante autônoma com inteligência artificial para coleta de resíduos e monitoramento contínuo da qualidade da água em rios e afluentes.

 

Bettair: Rede de sensores de baixo custo instalada em mobiliário urbano para monitoramento hiperlocal da qualidade do ar e níveis de ruído, gerando dados para políticas ambientais.

 

LOGÍSTICA E CIDADES INTELIGENTES

naPorta: a primeira logtech de impacto do Brasil, especializada em logística complexa, que democratiza o acesso ao e-commerce em áreas periféricas, comunidades e regiões em desenvolvimento. Com o apoio do Google, a empresa busca expandir o “CEP Digital” e, em parceria com o Sandbox.Rio, integrar essa tecnologia a serviços públicos de saúde e assistência social, facilitando a localização e o atendimento de pessoas assistidas.

 

Rio Eletrohub Rio (Recar):  Primeiro hub de recarga multimodal da Recar em via pública que integra carregadores ultrarrápidos para carros e estação para bicicletas elétricas e troca de baterias, alimentado por energia solar.

 

Área de Revitalização Econômica (Aliança Cidade): Modelo de gestão urbana onde a iniciativa privada, autorizada pelo poder público, promove melhorias e zeladoria em áreas específicas para atrair comércio e investimentos locais.

 

Categoria:

  • 2 de abril de 2026
  • Marcações: Cidades Inteligentes Iplan Regulamentação de Ambiente e Negócios Sandbox Sandbox.Rio SMDE