Com a proposta de promover a igualdade racial e o fortalecimento das comunidades tradicionais na Capital, a Prefeitura de João Pessoa realizou, na tarde desta quarta-feira (8), um evento que reuniu representantes do Governo Municipal e Federal e dos povos e das comunidades de terreiros. O encontro aconteceu no Centro Ilê Axé Oya Gigan, no bairro Cabo Branco, e foi conduzido pela Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial do Município, que atuou em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR).
Segundo Carla Uedler, coordenadora de Promoção da Igualdade Racial de João Pessoa, a Capital da Paraíba está, oficialmente, fazendo parte do Pacto Nacional dos Povos e Comunidades de Terreiro, voltando-se ainda mais à luta contra a intolerância religiosa, bem como à expansão da educação inclusiva como um agente de mudança.
A programação do evento contou com dois momentos distintos, ambos voltados ao fortalecimento da igualdade e dos direitos. No período da manhã houve uma reunião com representantes da gestão municipal e da Diretoria dos Povos e Comunidades Tradicionais e de Terreiros de Matrizes Africanas. Já à tarde, o encontro contou com as presenças de lideranças de terreiros, dentre elas Mâe Zetinha de Oyá, a fundadora de um dos mais antigos terreiros da Capital, fundado em 1971; Mãe EriKa de Oxum, do Ile Axé Osum Omidola; Mãe Renilda, do Ile Axé Oju Ofá Dana Dana; e os ogãs Augusto Araújo e Lucas Wallace, do Funfun Ile Axé Ijexá Omitolé.
Carla Uedler explicou que o evento aconteceu a pedido do Governo Federal, através de sua Diretoria de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros. “Eles queriam conhecer algumas lideranças religiosas locais, além de averiguar o trabalho que está sendo desenvolvido pela a Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial Municipal”, explica.
Ministério da Igualdade Racial – Luzi Borges, diretora de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros do MIR, agradeceu o trabalho dos terreiros pessoenses, que ajudam a manter vivas as tradições. Ela também falou sobre a valorização das ações do Ministério da Igualdade Racial, que foi recém criado. “Temos um Ministério novo, que está em sua primeira gestão depois de vinte anos de luta enquanto secretaria nacional. Então temos um desafio de fazer uma formação administrativa. Temos um decreto desde 2007, que reconhece os povos de terreiro como cidadãos de direito. O racismo no Brasil é institucional e, muitas vezes, a gente vê os povos de terreiro sem acesso a direitos. Se o Estado é laico deve atender a todas as instituições religiosas”, reforça.
Diálogo – A coordenadora de Promoção da Igualdade Racial de João Pessoa reforçou que a gestão municipal vem trabalhando com o objetivo de beneficiar todos os povos e comunidades tradicionais. “Eu acredito que a gente tem avançado muito em algumas questões, mas ainda é necessário avançar mais. E esse contato direto com as lideranças religiosas, com a comunidade, é um passo fundamental dado pelo Governo Municipal, em parceria com o Governo Federal, para que a gente consiga ampliar esse diálogo”, afirma Carla Uedler.
Além da proteção aos terreiros e do combate à intolerância religiosa, os principais assuntos discutidos no evento foram: o enfrentamento ao racismo estrutural; a ampliação do acesso à saúde da população negra; o fortalecimento da educação inclusiva; a construção de políticas públicas voltadas à juventude negra.


